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»Primavera Interrompida
Quando éramos mais novas e conversávamos abertamente sobre tudo, ela transparecia que seria a última a viver longamente um amor, a provar da comunhão de corpos e tudo mais que uma relação amorosa proporciona. A maternidade passava longe dos seus anseios juvenis. Ana Maria parecia Marketa de Kundera antes de conhecer Karel – o caçador irresistível. Liberta, solta ao vento, não deixava homem algum a oprimir. Carregava no peito a coragem de enfrentar uma interminável solidão e encarava as paixões com uma leveza invejável.
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»A mulher boleira
Você já viu essa cena. Elas se pavoneiam em vermelho e negro, ou vermelho e branco, ou ainda vermelho, negro e branco. Se o clichê máximo do futebol é ser restrito aos homens, a mulher toda paramentada que acompanha o sujeito torcedor também é uma figura clássica. Elas estão por aí, num barzinho próximo aos Aflitos, ou num espetinho de esquina, ora toda animadinha com os lances, ora soltando muxoxos. Todas empertigadas com suas camisas do time adaptadas tal qual abadá, toques de celulares, fivelinhas de cabelo, ainda que não saibam nem o nome de um jogador.









