Categoria: Diário da Mulher Contemporânea
O fundo desacreditava que olhos desconhecidos se encontravam e uma luz interior acendia, assim, subitamente. Que podia existir chama sem combustível. Para mim, o amor deveria ser plantado, conhecido, conquistado. Vinha com o tempo. Ou caía do céu. Como podemos amar o desconhecido? Einstein dizia que a emoção mais bela que podemos experimentar é o sentimento do mistério.

Quem era ele? Quem era ele, afinal, que me batia à porta, às escuras, às entranhas? Quem era aquele ser que sequer existia e me angustiava tanto? Quem? Quem poderia ser aquele grãozinho, miudinho, cotoquinho de arroz com quem eu já brincava e amava sem mesmo ter a certeza de tê-lo sentido

Peguei-me pensando no sentido da vida. No desenrolar dos fatos, dos anos que se arrastam ou voam, nas buscas pessoais, profissionais, nos sonhos, nas lutas cotidianas. Nas pessoas que entram em nossas vidas sem pedir permissão, nas que sonhamos ter para sempre ou já nos despedimos para nunca mais. Nas pessoas que escolhemos a dedo, dizemos: É você! E depois nos enganamos, arrependemos, ou enfim encontramos nossa alma gêmea e estamos ligados até o sexosemfimamém.

Tenho percebido que a síndrome da perfeição tem atingido boa parte das mulheres. Já não basta ser inteligente, ter estilo, ser responsável e bonita. Ou ter bom papo e saber seduzir. Elas querem ser TUDO, e para isso, fingem ser pessoas completamente diferentes das que realmente são.

Eu deveria ter ido dormir mais cedo, afinal. Estava morta de sono, mas já era o último capítulo do livro que estou protelando há um mês. Enrolo pra cá, lá, e, só agora, quando ele toma corpo, consegui me animar, dar boas risadas e boas fungadas. Mas era tarde da noite, não conseguirira aguentar tanto tempo sem criar boas olheiras.



