Mulheres-Macho

Nana was always a strong woman (Foto: Lisa Folino)
Que a liberdade feminina, conquistada a trancos, barrancos e muita calcinha queimada em praça pública veio a calhar, ninguém duvida. Que nós, mulheres deste Brasil, estamos a passos largos desbravando nosso espaço em uma sociedade grosseiramente machista, também.
Sim, minhas amigas, chegamos chutando a porta e fazendo um gritedo: também queremos, oras bolas! Trabalho, salários altos, cargos importantes, responsabilidades, direito de dar para quem quisermos sem que, para isso, precisemos nos apaixonar perdidamente e querer subir ao altar.
A questão é que, desde os primórdios da existência humana, onde está o antídoto está também o veneno. E é aqui, justamente aqui, que se encontra o problema.
A maioria de nós, empolgada com essa história de liberdade e igualdade, perdeu a linha e, ao invés de aproveitarmos apenas as vantagens conquistadas (que antes pertenciam somente a eles), acabamos assumindo também seus defeitos, suas falhas, suas distorções. Pior que isso: seus mais estúpidos defeitos, falhas e distorções.
Resultado? Mulheres estressadas, frustradas, sobrecarregadas, a beira de um ataque de nervos. E por quê? Porque se eles podem ser vulgares, nós também podemos. Se eles podem comer qualquer uma e ir embora assoviando, nós também podemos. Se eles podem trair, mentir, enganar, iludir, nós também podemos. Se eles podem… Epa, calma lá! Não é exatamente assim que a banda toca, minha gente!
Explico-me: vocês sabem e eu também sei que nós, mulheres, possuímos características biológicas e emocionais completamente diferentes de nossos amigos homens, e não há revolução feminina capaz de mudar esta condição. Somos mais sensíveis, e usamos com muito mais vontade o lado direito do nosso cérebro, responsável pelos tais sentimentos.
Por exemplo: sexo. Todo mundo sabe e, inclusive, já está bege de tanto saber que os homens separam, com espantosa facilidade, o sexo do amor.
Nós, não. E não adianta fazer essa cara de que sim, você também separa, porque é mentira e você sabe. Lá no fundo, você sabe. A mulher se envolve, e sempre acaba acreditando que, desta vez, quem sabe?
Todas, TODAS são assim. Inclusive eu e você, e principalmente aquelas que gostam de dizer justamente o contrário. Mas não entre em pânico, isso não é culpa nossa. Não só nossa. É culpa também de nosso cérebro, de nossas emoções, de coisas sob as quais não temos controle. Por isso, sempre que uma mulher assume para si aquilo que pertence, somente e tão somente, aos homens, acaba se estrepando.
E sofrem, e se decepcionam, e tomam Prozac, e se tornam amargas e deprimidas.
Não, chega disso, meninas! Vamos parar de brincar de mulher-macho e tratar de nos conhecermos melhor. Saber o que, enquanto mulher e enquanto indivíduo, realmente queremos, e o que realmente serve e interessa para a gente.
Não precisamos e, principalmente, não devemos assumir, junto com as conquistas e direitos, os erros e os defeitos e as besteiras que os homens sempre impuseram sobre nós.
Se eles podem comer qualquer uma e sair assobiando, deixem que comam e saiam assobiando. Problema deles.
Se eles podem ser machões e ignorantes, vulgares e estúpidos, que sejam.
Nós podemos ser apenas quem realmente somos.
E para isso, não podemos cair no erro de acreditar que, para conquistarmos nosso lugar por aqui, e para sermos respeitadas e termos liberdade, precisamos ser exatamente como eles.
Deixe esse estereótipo patético de mulher-macho para lá, e vá tratar de ser a mulher que você é.
Porque essa sim é única, e verdadeiramente livre.
MATÉRIAS RELACIONADAS




(+20 votos)
Jana, que bom te encontrar aqui tbém! Acompanho sempre teu blogue e todos os sites onde publica. Agora tenho mais um! Beijo da sua fã Sônia.
texto do caralho! eu, enquanto homem, concordo. as mulheres buscando sua liberdade, acabaram se perdendo um pouco daquilo que as torna tão especiais. é uma pena, pois a teoria olho por olho dente por dente nunca levou ninguém a lugar nenhum. são os homens quem devem se aproximar do que são as mulheres e não o contrário. que bom que nem todo mundo pensa assim. Jana, parabéns.
Jana sempre surpreendendo e, como ela mesmo diz, metendo seu bedelho onde não foi chamada. Se todo mundo que se metesse a dar opiniões desse opiniões consistentes e sensatas como as tuas, o mundo ainda teria esperança.
Texto maravilhoso, bem escrito, surpreendente, de uma lógica quase assustadora.
Obrigada por escrever, Jana!
Estarei aqui sempre!
Gente, amei o texto. cai casualmente no blog da Jana e, casualmente, aqui. E li exatamente o que precisava ler, neste momento. Que bom isso.
Jana,
Valeu moça.
Belo texto!!! Emocionante!!! Sensual!!! Lírico …
Um beijo azul do Jovino Machado
Oi, Janita!
Que bacana! Parabéns por mais essa conquista.
Olha o Jovino aí em cima! Encontro-o sempre no Carapuceiro.
Janita, tenho que discordar de você. Não acredito que nossas diferenças biológicas sejam responsáveis por algumas ‘características’ pertencentes exclusivamente ao nosso universo feminino…É uma moral criada e imposta à nós mulheres, isso sim. Fizeram com que acreditassemos nessa lenga-lenga toda.
Eu consigo muito bem separar sexo de amor. E outra: não sou nada estressada. Sou sussa até demais.
beijos!
Guria querida,
que texto legal, adoro te “ouvir”. Lá no teu blog eu volta e meia quero deixar um comentário mas acho que só por email, não é?
Como eu vejo as coisas, concordo contigo, o negócio é ser a mulher que se é. Quando se sabe e se abraça quem é não há necessidade de querer provar nada para ninguém.
Parabéns!
Beijos.
Grande texto, Jana.
É sempre um enorme prazer ler o que vc escreve. Não tenho dúvidas de que será um dos grandes nomes da literatura brasileira, e muito antes do que todos imaginam. Continue assim, que nem o céu é limite pra ti. Abraço do teu leitor e fã.
Oi Jana,
Acabei de ler seu maravilhoso texto que fala das opiniões dos editores sobre os livros.Certa vez enviei os originais do meu BALACOBACO (onde tem um longo poema sobre deus e o demo) para um editor do Rio de Janeiro e ele me respondeu assim:
Caro Jovino,
Minha opinião está irremediavelmente comprometida,porque tenho com Deus uma estreitíssima relação de fé,crença e respeito que me impede de ser isento em qualquer avaliação sobre o que se escreve dele!
Pode?
Só faltou falar que é tiete do Padre Marcelo (Deus é 10 o CD e 20)
Um beijão
Jovino
Puta texto, puta escritora, puta opinião! Amo muito tudo isso.
Esta crônica me fez pensar e rever alguns conceitos.
Reflexão interessante. Uma maneira de se ver a situação que merece atenção.
Concordo com o texto integralmente. É preciso que homens e mulheres de boa vontade, juntos construam uma nova sociedade; onde não haja dominados nem dominadores.Quanto ao termo “macho”, acho eu que nem homens e nem mulheres precisam dele.Nos basta simplesmente, que sejamos homens ou mulheres na verdadeira concepção do que é ser.Vamos juntos construir essa nova sociedade? Nada mais!
Deixe um comentário!
Assine a Revista Žena
Comentários
Categorias
Arquivos
Nuvem de tags
Agenda agenda cultural do recife agenda cultural recife Amor Ana Carolina APR Club astrologia Carlos Costa Cinema Coluna Astral Coluna Café com H Coluna Crônicas Coluna Diário de Uma Mulher Contemporânea Coluna Filosofia Coluna Metendo o Bedelho Coluna MMM Coluna Psicologia Coluna Pé de Moça Coluna Saí da casa de mamãe Câncer Câncer de mama Dia Internacional da Mulher Doube Take Espaço Guru Ex-Exus Filosofia Fotografia Inferninho Samba Orquestra Johan Grimonprez Kleber Mendonça Moda Mulher Música Novas Vozes poesia Politica Quintal do Lima Revista Zena Saúde Seios sexo Sexo Plural shows recife Violência Zeca Viana
WP Cumulus Flash tag cloud by Roy Tanck and Luke Morton requires Flash Player 9 or better.
Twitter da Revista Zena
Siga a Revista Žena no Twitter