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Mulheres-Macho

[Por Jana Lauxen | 03/09/2009 | 20:17 | 13 comentários | Imprimir | Email ]


Nana was always a strong woman (Foto: Lisa Folino)

Que a liberdade feminina, conquistada a trancos, barrancos e muita calcinha queimada em praça pública veio a calhar, ninguém duvida. Que nós, mulheres deste Brasil, estamos a passos largos desbravando nosso espaço em uma sociedade grosseiramente machista, também.

Sim, minhas amigas, chegamos chutando a porta e fazendo um gritedo: também queremos, oras bolas! Trabalho, salários altos, cargos importantes, responsabilidades, direito de dar para quem quisermos sem que, para isso, precisemos nos apaixonar perdidamente e querer subir ao altar.

A questão é que, desde os primórdios da existência humana, onde está o antídoto está também o veneno. E é aqui, justamente aqui, que se encontra o problema.

A maioria de nós, empolgada com essa história de liberdade e igualdade, perdeu a linha e, ao invés de aproveitarmos apenas as vantagens conquistadas (que antes pertenciam somente a eles), acabamos assumindo também seus defeitos, suas falhas, suas distorções. Pior que isso: seus mais estúpidos defeitos, falhas e distorções.

Resultado? Mulheres estressadas, frustradas, sobrecarregadas, a beira de um ataque de nervos. E por quê? Porque se eles podem ser vulgares, nós também podemos. Se eles podem comer qualquer uma e ir embora assoviando, nós também podemos. Se eles podem trair, mentir, enganar, iludir, nós também podemos. Se eles podem… Epa, calma lá! Não é exatamente assim que a banda toca, minha gente!

Explico-me: vocês sabem e eu também sei que nós, mulheres, possuímos características biológicas e emocionais completamente diferentes de nossos amigos homens, e não há revolução feminina capaz de mudar esta condição. Somos mais sensíveis, e usamos com muito mais vontade o lado direito do nosso cérebro, responsável pelos tais sentimentos.
Por exemplo: sexo. Todo mundo sabe e, inclusive, já está bege de tanto saber que os homens separam, com espantosa facilidade, o sexo do amor.

Nós, não. E não adianta fazer essa cara de que sim, você também separa, porque é mentira e você sabe. Lá no fundo, você sabe. A mulher se envolve, e sempre acaba acreditando que, desta vez, quem sabe?

Todas, TODAS são assim. Inclusive eu e você, e principalmente aquelas que gostam de dizer justamente o contrário. Mas não entre em pânico, isso não é culpa nossa. Não só nossa. É culpa também de nosso cérebro, de nossas emoções, de coisas sob as quais não temos controle. Por isso, sempre que uma mulher assume para si aquilo que pertence, somente e tão somente, aos homens, acaba se estrepando.

E sofrem, e se decepcionam, e tomam Prozac, e se tornam amargas e deprimidas.

Não, chega disso, meninas! Vamos parar de brincar de mulher-macho e tratar de nos conhecermos melhor. Saber o que, enquanto mulher e enquanto indivíduo, realmente queremos, e o que realmente serve e interessa para a gente.

Não precisamos e, principalmente, não devemos assumir, junto com as conquistas e direitos, os erros e os defeitos e as besteiras que os homens sempre impuseram sobre nós.

Se eles podem comer qualquer uma e sair assobiando, deixem que comam e saiam assobiando. Problema deles.
Se eles podem ser machões e ignorantes, vulgares e estúpidos, que sejam.

Nós podemos ser apenas quem realmente somos.

E para isso, não podemos cair no erro de acreditar que, para conquistarmos nosso lugar por aqui, e para sermos respeitadas e termos liberdade, precisamos ser exatamente como eles.

Deixe esse estereótipo patético de mulher-macho para lá, e vá tratar de ser a mulher que você é.

Porque essa sim é única, e verdadeiramente livre.



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13 comentários »

  • Sônia | 4 setembro 2009 - 12:21

    Jana, que bom te encontrar aqui tbém! Acompanho sempre teu blogue e todos os sites onde publica. Agora tenho mais um! Beijo da sua fã Sônia.

  • Marcelo | 4 setembro 2009 - 12:23

    texto do caralho! eu, enquanto homem, concordo. as mulheres buscando sua liberdade, acabaram se perdendo um pouco daquilo que as torna tão especiais. é uma pena, pois a teoria olho por olho dente por dente nunca levou ninguém a lugar nenhum. são os homens quem devem se aproximar do que são as mulheres e não o contrário. que bom que nem todo mundo pensa assim. Jana, parabéns.

  • Ana | 4 setembro 2009 - 17:41

    Jana sempre surpreendendo e, como ela mesmo diz, metendo seu bedelho onde não foi chamada. Se todo mundo que se metesse a dar opiniões desse opiniões consistentes e sensatas como as tuas, o mundo ainda teria esperança.
    Texto maravilhoso, bem escrito, surpreendente, de uma lógica quase assustadora.
    Obrigada por escrever, Jana!
    Estarei aqui sempre!

  • Ká. | 5 setembro 2009 - 11:45

    Gente, amei o texto. cai casualmente no blog da Jana e, casualmente, aqui. E li exatamente o que precisava ler, neste momento. Que bom isso.

  • Jovino Machado | 6 setembro 2009 - 11:37

    Jana,

    Se todas as mullheres do mundo
    Tivessem a metade da sua inteligência
    Deus morreria de inveja dos homens
    Pois não existiria mais paraíso
    Eternidade,a paisagem do amanhã
    Só existiria o seu hálito de hortelã
    Encharcando a minha boca de saliva
    Poesia não dá camisa
    Mas quando o poeta tem uma musa
    Não precisa de blusa
    Vive de brisa !!!

    Valeu moça.
    Belo texto!!! Emocionante!!! Sensual!!! Lírico …

    Um beijo azul do Jovino Machado

  • Vanessa | 7 setembro 2009 - 12:45

    Oi, Janita!

    Que bacana! Parabéns por mais essa conquista.

    Olha o Jovino aí em cima! Encontro-o sempre no Carapuceiro.

    Janita, tenho que discordar de você. Não acredito que nossas diferenças biológicas sejam responsáveis por algumas ‘características’ pertencentes exclusivamente ao nosso universo feminino…É uma moral criada e imposta à nós mulheres, isso sim. Fizeram com que acreditassemos nessa lenga-lenga toda.

    Eu consigo muito bem separar sexo de amor. E outra: não sou nada estressada. Sou sussa até demais.

    beijos!

  • Ale | 9 setembro 2009 - 18:06

    Guria querida,

    que texto legal, adoro te “ouvir”. Lá no teu blog eu volta e meia quero deixar um comentário mas acho que só por email, não é?
    Como eu vejo as coisas, concordo contigo, o negócio é ser a mulher que se é. Quando se sabe e se abraça quem é não há necessidade de querer provar nada para ninguém.
    Parabéns!
    Beijos.

  • Demóstenes. | 9 setembro 2009 - 22:40

    Grande texto, Jana.
    É sempre um enorme prazer ler o que vc escreve. Não tenho dúvidas de que será um dos grandes nomes da literatura brasileira, e muito antes do que todos imaginam. Continue assim, que nem o céu é limite pra ti. Abraço do teu leitor e fã.

  • Jovino Machado | 18 setembro 2009 - 19:48

    Oi Jana,

    Acabei de ler seu maravilhoso texto que fala das opiniões dos editores sobre os livros.Certa vez enviei os originais do meu BALACOBACO (onde tem um longo poema sobre deus e o demo) para um editor do Rio de Janeiro e ele me respondeu assim:

    Caro Jovino,

    Minha opinião está irremediavelmente comprometida,porque tenho com Deus uma estreitíssima relação de fé,crença e respeito que me impede de ser isento em qualquer avaliação sobre o que se escreve dele!

    Pode?

    Só faltou falar que é tiete do Padre Marcelo (Deus é 10 o CD e 20)

    Um beijão

    Jovino

  • Maria | 19 setembro 2009 - 16:13

    Puta texto, puta escritora, puta opinião! Amo muito tudo isso.

  • Samuel | 26 setembro 2009 - 10:22

    Esta crônica me fez pensar e rever alguns conceitos.

  • Bartolomeu V. | 5 maio 2010 - 22:34

    Reflexão interessante. Uma maneira de se ver a situação que merece atenção.

  • Arimatéa de Andrade | 6 julho 2010 - 14:56

    Concordo com o texto integralmente. É preciso que homens e mulheres de boa vontade, juntos construam uma nova sociedade; onde não haja dominados nem dominadores.Quanto ao termo “macho”, acho eu que nem homens e nem mulheres precisam dele.Nos basta simplesmente, que sejamos homens ou mulheres na verdadeira concepção do que é ser.Vamos juntos construir essa nova sociedade? Nada mais!

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