O “adeus” de Teresa, de Castro Alves

Em O “adeus” de Teresa, Castro Alves renega o amor clássico

Por Revista Žena // quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A vez primeira que eu fitei Teresa,

Como as plantas que arrasta a correnteza,

A valsa nos levou nos giros seus…

E amamos juntos… E depois na sala

“Adeus” eu disse-lhea tremer co’a fala…

E ela, corando, murmurou-me: “adeus!”

Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…

E da alcova saía um cavaleiro

Inda beijando uma mulher sem véus…

Era eu… Era a pálida Teresa!

“Adeus” lhe disse conservando-a presa…

E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

Passaram tempos… séc’los de delírio

Prazeres divinais… gozos do Empíreo…

… Mas um dia volvi aos lares meus.

Partindo eu disse — “Voltarei!… descansa!…”

Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei… era o palácio em festa!…

E a voz d’Ela e de um homem lá na orquesta

Preenchiam de amor o azul dos céus.

Entrei!… Ela me olhou branca… surpresa!

Foi a última vez que eu vi Teresa!…

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

Antônio Frederico Castro Alves (1847-1871) nasceu em Curralinho, hoje Castro Alves, interior da Bahia, e morreu em Salvador. Estudou Direito em Recife e depois em São Paulo. Destacou-se como poeta revolucionário e declamador eloquente, assim como grande autor de poemas líricos amorosos, com uma visão menos idealizada e mais sensual do amor e da mulher. Morreu aos vinte e quatro anos, após uma vivência boêmia. Entre as suas obras em poesia, indico Espumas flutuantes (1870) e Os escravos (1883).

Em O “adeus” de Teresa, Castro Alves renega o amor clássico, moral, já que Teresa se entrega a uma nova paixão. Esse tipo de amor, no poema, é suplantado por um entendimento de um amor mais carnal, que diferencia o escritor do protótipo do poeta romântico.



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