Depois de alguns anos socada dentro de uma redação de jornal mergulhada no universo dos acontecimentos do esporte, eis que eu levantei um dado importante: jornalistas esportivos, quase em sua totalidade, são extremamente sedentários. Além de não ter hábito de praticar nenhuma atividade física, mesmo que de maneira recreativa, ainda tem costume de fumar e ingerem bebidas alcoólicas excessivamente.
Pode ir se acostumando. Caso você aí do outro lado tenha a pretensão de tornar-se um assíduo leitor desta humilde coluna, é bom saber que uma vez por mês ela vai estar nervosa. Isso significa que aquela paciência de Jó do texto anterior desapareceu – principalmente no que diz respeito a achar graça nas piadas sexuais dos meus amados colegas de trabalho -, e mais ainda no que diz respeito a todo o resto também. Jornalismo esportivo para mulheres é matar um leão por dia em cada piada mal contada por um colega nas pautas diversas. Jornalismo esportivo para mulheres em semana de TPM, então, é a visão do inferno.
Pensei, pensei e conclui que, provavelmente, toda primeira coluna de um jornalista em qualquer veículo deve ser bem ruim. Afinal, apresentar-se é clichê, mas é preciso. Como fazer alguém ler o que você escreve periodicamente sem, ao menos, dizer quem você é e de onde veio? Por isso, começo exatamente pelo começo. Sou Manuella, jornalista diplomada – porque hoje em dia é preciso deixar este detalhe claro – e vou usar meus dedinhos semanalmente para transmitir à esta coluna minhas sensações e impressões enquanto mulher que atua no jornalismo esportivo.
A mastectomia é um dos tratamentos a que a maioria das mulheres com diagnóstico de câncer de mama é submetida, sabe-se que seus resultados poderão comprometê-las física, emocional e socialmente. A mutilação favorece o surgimento de muitas questões na vida das mulheres, especialmente aquelas relacionadas à imagem corporal e autoestima. Como a mulher percebe e lida com essa nova imagem? Isso afeta a sua existência, inquietando os profissionais de saúde que se propõem prestar uma assistência integral.
Quando éramos mais novas e conversávamos abertamente sobre tudo, ela transparecia que seria a última a viver longamente um amor, a provar da comunhão de corpos e tudo mais que uma relação amorosa proporciona. A maternidade passava longe dos seus anseios juvenis. Ana Maria parecia Marketa de Kundera antes de conhecer Karel – o caçador irresistível. Liberta, solta ao vento, não deixava homem algum a oprimir. Carregava no peito a coragem de enfrentar uma interminável solidão e encarava as paixões com uma leveza invejável.