Plena nudez

Poesia parnasiana de Raimundo Correia

Por Raimundo Correia // domingo, 11 de abril de 2010

Eu amo os gregos tipos de escultura;
Pagãs nuas no mármore entalhadas;
Não essas produções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero em pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: da carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas…

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
Da transparente túnica através:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus…toda nua, da cabeça aos pés!


Plena Nudez, de Raimundo Correira, faz parte do parnasianismo, corrente literária nascida em 1882.Os escritores da época procuravam se distanciar de temas sociais. Supervalorizavam o culto da forma (ponto de vista técnico), o descritivismo, o despreso por temas indivuduais e uma concepção de amor carnal, como é sentido na poesia Plena Nudez.



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